segunda-feira, 18 de julho de 2011

DA PALMATÓRIA À MAJESTADE!

Como mãe, tenho me questionado muito ultimamente. Será que estamos sabendo educar nossos filhos? Será que nossa geração tem pecado pelo excesso de liberdade, de ofertas e até de carinho?
Tenho observado insistentemente o comportamento infantil... a começar pelo das minhas filhas, e – juro – tenho me assustado em demasia com minhas constatações. Que tipo de ser humano estamos preparando? Não sei ao certo, mas as respostas que passeiam pela minha mente têm me deixado com vontade de RECOMEÇAR!
Estou pisando firme numa afirmação: Cada geração oferece à próxima aquilo que considera ter lhe faltado. Nossos pais receberam um pouco mais de liberdade de nossos avós, que vieram de uma educação reprimidíssima e de nenhum diálogo. Nós, ganhamos de nossos pais o direito de falar, de opinar, de tentar, de sair (uma super mudança se olharmos pelo retrovisor da vida!). E nossos filhos, o que têm ganhado de nós? Bom, posso até listar...
Eles têm ganhado o direito:
·        De nos desmentir perante qualquer estranho;
·        De mandar “mamãe e papai” calarem a boca sem a menor cerimônia;
·        De nos fazer sentir culpados pelos inúmeros mimos que passaram a se fazer exigência em nosso cotidiano;
·        De se comportarem como os empregadores de seus professores em sala de aula;
·        De nos fazer negociar toda e qualquer coisa que eles queiram, que eles não queiram ou que seja obrigação deles fazer;
·        De nos fazer trabalhar mais e mais para termo$ o $suficiente para comprar aquela boneca com preço de compra mensal do supermercado; aquele carrinho com valor de pneu zerado; aquele brinquedo carérrimo que acabou de ser lançado e que será encostado assim que se passarem 3 ou 5 dias – no máximo – que ele se tornou parte da coleção de brinquedos exóticos que ele quis ter (e que nós demos!).

         Temos errado todos os dias! E todos os dias vimos nos noticiários o preço que temos pagado por nossas mancadas! Jovens delinqüentes, adolescentes perdidos, festas onde eles beijam 5, 6, 10, 15 pessoas diferentes na mesma noite (e às vezes do mesmo sexo... pq não?!); massacres em escolas, professores agredidos por meninos que têm idade para serem seus filhos (e até netos).
A cada dia inventamos uma nova frescura para dar conta da nossa insegurança e da nossa incapacidade – confessa! – de gerarmos uma leva de pessoas equilibradas, determinadas, com garra, honestas e com capacidade própria (assim como foi a geração dos nossos pais!). Hoje, se chamam meu filho de “lerdo” na aula de Educação Física é bullying; se o chamam de “baixinho” é bullying; se as meninas resolveram brigar pela boneca e excluir uma da turma num determinado recreio, é bullying.
Quantos de nós não passamos por isso na escola, gente?! E tivemos que aprender a nos virar, a nos defender, a crescer?!
Temos que parar de colocar nossos filhos na bolha, na redoma e ficar mostrando a vida através dos nossos olhos, porque isso atrasa, isso amedronta, isso acovarda! Menino que cresce recebendo tudo na mão NÃO CRESCE, não constrói, não deseja, e o pior, NÃO VALORIZA!
Carinho nada tem a ver com limites, e muito menos com a falta dele. Tentar suprir nossa ausência, nossa condição financeira ou nosso dom maternal/paternal está errado! Pai que permite tudo, que quer dar tudo e que não deixa o filho se frustrar (porque isso é saudável!), não conquista o amor dele, mas vira bobo, vira boneco, vira presa fácil. E se você duvida ou me acha muito malvada por dizer isso, volte à sua adolescência e lembre-se das vezes que você convenceu seu pai ou sua mãe daquele pedido absurdo?! O sabor da vitória própria era infinitamente maior do que a gratidão pelo que ele(a) acabara de te conceder. É natural. Foi assim comigo e com você também!
Uma coisa é conversar, ouvir, brincar e rir junto de nossos filhos. Outra é negociar as mínimas coisas, debater ordens ou passar a vida justificando para eles as nossas decisões a respeito da vida deles.
Tem hora pra tudo. E a hora deles vai chegar, mas enquanto não chega é responsabilidade NOSSA!
Então, se seu filho ficar reprovado na escola, for uma pessoa egoísta, mesquinha, esbanjadora; se ele não respeitar você, sua casa ou suas ordens (?); se ele for medroso, inseguro e incapaz, a culpa pode ser dele, sim; mas é muito mais SUA, muito mais NOSSA, que estamos soltando as rédeas em troca de um beijinho e de um carinho deles.
Quem será que está negociando O QUE, e COM QUEM?
É hora de recomeçar(mos)!

8 comentários:

  1. Lariiiiss querida, tenho que concordar com vc... vejo perfeitamente isso acontecer nos dias de hj, e pq será? será q as pessoas querem fazer de forma diferente que os pais delas fizeram? tentando suprir aquilo que não tiveram na sua infância proporcionando com tamanha liberdade agora!.
    E sobre essa tal de Bullying, aff, quando eu sofri isso então... e nem por isso eu deixei de viver e de encarar o mundo da forma que ele é e da forma que eu realmente sou.
    Se as coisas não começarem a serem mudadas ou pensadas no momento q estamos.. sei não o que vai acontecer... "depois não adiantar chorar pelo leite derramado"!!!!....
    Beijokas

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  2. Verdade, verdade, verdade. Que Deus nos dê sabedoria pra mudarmos á tempo. Bj

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  3. Irmã... Eu fiquei com medo de mim mesma!!!! Temos que refletir muito sobre a educação... Amamos tanto que não fazemos a coisa certa no momento certo. Cedemos, conversamos, apoiamos... Meu Deus! Fico muito insegura com esta geração!!!! bjs

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  4. Amiga do Céu, sabe o que senti? Que a mudança deve acontecer verdadeiramente com cada um de nós, pais e responsáveis.Isso é muito preocupante!!!

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  5. Kalinca Dalapicola19 de julho de 2011 04:57

    Cumas, ainda há tempo pra mudarmos, pelo menos eu creio nisso. Precisamos constantemente mostrar que quem está no comando somos NÓS (pais).Mais uma vez seu texto está brilhante. Bjos.

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  6. Este texo é muito verdade. Não tenho filhos, mas, observo como algumas crianças estão sendo criadas hj em dia e é CHOCANTE! Que futuro elas terão?
    Um beijo.

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  7. Amores, amei a visita e a participação de vcs nesse post que, pra mim, não foi um passatempo ou um momento de lazer (como os demais), mas uma pausa e um grito DESESPERADO por vcs, meus companheiros nessa árdua - e, como não?! deliciosa - missão de EDUCAR! Beijos e VOLTEM SEMPRE!

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  8. Uhu.... falou e disse! To fazendo de tudo pra colocar em pruáticat, e juro... acho que está surtindo efeito!!!! bj

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