segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O QUE VALE A PENA "CURTIR"...

         Outro dia escrevi numa rede social que eu tenho percebido que a internet (e as redes sociais) são maravilhosas porque nos deixam perto das pessoas que estão longe, mas que ao mesmo tempo são muito ruins porque nos deixam longe das pessoas que estão perto. Quantas vezes, por puro vício ou mania, estamos tão concentrados nesses sites e olhando tudo o que acontece “lá”, que mal ouvimos quem está “aqui” do nosso lado querendo conversar?! Comigo já aconteceu MUITO, até eu começar a colocar as coisas na balança...
         Tenho dito, aflita, em conversas com os amigos que estamos vivendo uma época de avanço tecnológico imensa e intensa, enquanto marchamos de ré – quase na mesma velocidade – no que se refere às questões pessoais. O que anda acontecendo com as relações diárias, com as amizades cultivadas por anos, com os amores, com os pais e os filhos? Em casa, é comum conversarmos pelo computador enquanto um está na sala e o outro está no quarto... Tecnologia próxima, muito próxima; corações e olhos cada vez mais distantes! Que dó! Que retrocesso!
         Sei que seria hipocrisia desmerecer todas essas descobertas e facilidades que temos ganhado a cada dia (porque internet, e-mail, redes sociais e afins também ajudam, sim!), mas também é impossível falar só das coisas boas sem analisar – de forma imparcial – o quanto tudo isso vem distanciando as pessoas e criando um mundo paralelo.
         Enquanto há alguns anos resolvíamos mal entendidos cara a cara, olho no olho e numa conversa franca, hoje eliminamos problemas excluindo as pessoas de nossas listas de amigos virtuais. Temos construído relações apertando a opção “curtir”, e quanto mais “curtimos” mais amigos ficamos. É legal? É claro que é! Quantas pessoas passei a conhecer ou pude me aproximar depois dessa invenção? Mas não tenho dedos o suficiente pra contar quantas pessoas já “curtiram” coisas escritas por mim, já comentaram, elogiaram, concordaram ou discordaram e ao passar por mim na rua se comportaram como desconhecidas. Isso é criar relação? É claro que não!

         Sem nenhuma intenção de fazer campanha contra ou a favor (até porque realmente gosto de fazer parte de tudo isso e continuo com meu perfil, com minha lista de amigos, com meus posts, “curtindo”, “sendo curtida” com o maior prazer!), esse texto só tem uma intenção: dizer que acho um barato termos essa ferramenta a nossa disposição, mas que ela não pode virar a forma principal de nos relacionarmos com as pessoas; que ela não pode tomar o lugar das pessoas que estão ao nosso lado e que esperam um pouco mais do nosso carinho, da nossa atenção e da nossa presença; que não podemos julgar as pessoas por uma frase escrita, por uma foto compartilhada ou por uma brincadeira mal interpretada. Tudo isso tem que ser uma grande brincadeira... O que é sério de verdade e vale a pena, está além de uma tela de computador! Quem move nossos dias e faz pulsar nosso coração é palpável, tem cheiro, sentimentos e olhar e está bem ao nosso lado, podendo dizer olho no olho o quanto nos “curte”, nos ama e nos quer bem!

terça-feira, 5 de junho de 2012

SOMOS MUITOS E, AINDA ASSIM, SOMOS UM!

          Sou uma das muitas filhas de meus pais. Do sangue e do ventre, somos 3, mas o coração foi fazendo nascer mais um, mais outro, mais outro... A vida veio trazendo irmãos de coração, e meus pais acolhendo os filhos com seus braços e corações elásticos. Foi gostoso de ver...
         Ao longo de tantas chegadas – e ficadas – fomos esticando nossas capacidades também. Capacidade de esperar o banheiro desocupar para um banho; capacidade de ouvir a TV quando o barulho e as conversas na sala eram muitas; capacidade de ver brotarem pratos e talheres na mesa pro almoço cada vez mais numeroso; capacidade de dividir a atenção, de multiplicar as brincadeiras, de somar amor e aquele aconchego gostoso que sentimos quando sabemos que temos com quem contar na vida! Pra mim, e na minha visão, sempre foi assim...
         Adoro meus momentos de silêncio, independência, solidão, mas não sou uma pessoa solitária e silenciosa. Sou super adepta dos almoços tumultuados de domingo, das festas cheias de familiares, de sobrinhos, de irmãos! Por isso nunca tive grandes dificuldades em ver minha família tomar proporções elásticas!
         Casei muito nova (como contei no post passado!). Aos 21 anos já era uma “jovem senhora casada” e estava a frente da realidade de construir a minha própria família. Foi tudo muito natural e as coisas simplesmente aconteceram... Logo que casamos, moramos numa quitinete que meus pais construíram pra nós no terraço de sua casa. Ficamos lá por felizes 4 anos e 10 meses, até vermos nossa primeira casa própria prontinha pra nos receber. Lá fomos nós! Dois meses depois nascia nossa primeira filha e vivemos momentos de muita alegria naquele endereço... até mesmo a chegada de nossa segunda boneca!
         Alguns sonhos a mais nos fizeram ter coragem de vender aquele canto especial e tentar colocar nossa caixa de correio em outra rua, outro bairro, numa área maior, mas como a grana era curta pra “construir x morar”, tomamos uma decisão e fomos, outra vez, pedir “asilo” aos meus pais. Agora, numa casa maior e com menos filhos por perto (todos já casaram ou foram construir suas histórias), havia espaço de sobra pra acolher a mim, meu amor e minhas “amoras”!
         Voltar pra casa dos pais nunca é fácil... você cresce e cria asas demais! Cada asa quer bater de um jeito, numa hora, numa velocidade. Os pais já estão em outro ritmo, e as diferenças se acentuam. Imagine agora, o que é voltar pra lá com a turma completa (incluindo a secretária)??? Nada fácil! Nem pra nós, nem pra eles...
         No meio do processo, e vendo as filhas sendo atendidas prontamente pelos avós a cada pirraça ou desejo de criança, a gente teve vontade de surtar, dar um castigo bem dado em cada uma delas (e nos avós também!!). Relembrar os defeitos do dia-a-dia dos pais também atordoa, e dentro do processo, vivendo a dinâmica da casa que não é mais sua - não aquela que você fez a rotina do seu jeitinho - a gente quase (mas quase mesmo!) pira o cabeção!
         Pois bem... é chegada a hora de abrir os portões do nosso novo canto, e deixar a casa dos pais outra vez causa sentimento ambíguo: realização e felicidade pela conquista sonhada e lutada; aperto no peito por deixar os pais no endereço deles e perder a mordomia de ter o colo deles sempre tão perto.
         No fim das contas, e depois desses 17 meses juntos sob o mesmo teto outra vez, enxergo com clareza os defeitos que nem eram novidade pra mim, mas também aumento aquele sentimento gostoso de poder ter redescoberto as qualidades, a alegria da presença, de ter visto os braços abertos e à disposição quando precisamos, os sorrisos e o fato de tê-los visto rejuvenescer perto das netas por tanto tempo!
         1 ano e 5 meses depois, comemoro mais uma conquista agradecida à eles, aos meus pais queridos; que apesar dos defeitos e com TODAS AS QUALIDADES QUE TÊM, me fazem ter certeza de que nasci pra ser mesmo a filha deles. Se sou assim, exatamente assim como sou - com os meus defeitos (muitos) e as minhas qualidades (muitas) - consigo ainda ser independente, corajosa, forte, guerreira... e sei agradecer! Graças ao que eles me ensinaram ao longo da vida!
         Pai e mãe, DESCULPEM O TRANSTORNO, A BAGUNÇA, O BARULHO E A DESORDEM por tantas vezes! OBRIGADA por terem nos acolhido e nos ajudado a realizar mais esse sonho. Nossa casa tem parte especial da doação e do amor de vocês! Amo muito, muito, muito! Vamos sentir saudade! Todos nós!

sábado, 2 de junho de 2012

ELE É ASSIM...

Daqui a alguns meses comemoraremos nossos 12 anos de casados. É, passou rápido demais!
Há pouco mais de uma década eu era uma recém chegada à fase adulta, e dos meus recentes 21 anos completados me via diante de casa, marido e novas responsabilidades. Confesso que não fiquei com medo e que, na verdade, eu estava eufórica com a possibilidade de vestir meu longo brilhoso e começar a enfeitar – do meu jeitinho – o meu castelo encantado.
Só depois de algum tempo e de muito chorar, sofrer, espernear e fazer pirraça é que fui compreendendo – de verdade! – que ali não tinha nenhum príncipe (e nenhuma princesa!). Foram brigas grandiosas, silêncios prolongados, culpas e faltas jogadas na cara... Foram muitas festas, farras, alegrias, porres e conquistas também, mas vamos combinar que a parte boa mais enfeita do que faz crescer, né? Por isso lembramos da parte mais “desfocada” da história até mesmo com orgulho, porque foi essa que nos fez crescer e veio nos moldando ao longo do tempo.
Hoje, quase 12 anos depois daquele SIM, com 2 filhas lindas, desejadíssimas e muito amadas, carreiras sólidas e felizes, nossa casa tão sonhada construída, muito trabalho, luta e dedicação ao que fazemos e poucas folgas no nosso currículo, estamos na capital do nosso estado para o curso de especialização que o maridão está fazendo pra crescer, ainda mais, profissionalmente. Aqui, na sala de aula do curso vejo tudo com olhar atento. Ele, acompanhado de sua pequena turma numa mesa redonda com o professor ali na frente, e eu, sozinha aqui atrás, sentada numa cadeira como a deles, dentro da aula mas por fora do que eles estão discutindo logo ali.
O professor fala e explica, um aluno rebate, o outro pergunta, o outro comenta... e ele – o meu marido - ali, com seu silêncio habitual fazendo parte de tudo sem sentir necessidade de se fazer notar.
Eu que sempre fui tão dada aos risos altos, às conversas descontraídas com quem acabei de conhecer e às participações efetivas de qualquer coisa que faça parte, tive extrema dificuldade para entender o jeito quieto e reservado desse homem que, de mil outras maneiras, tenta sempre me fazer feliz!
Esse silêncio e essa calmaria já foram pedra em nossa rebentação... estouravam minha estima, meu entendimento, minha necessidade de estar sempre cercada de contato e som. Como eu disse, levou um certo tempo para eu compreender – de verdade – que isso faz parte dele, que esse É ELE! Só depois de muito sofrimento, carência, incertezas e pancadas pra crescer, é que entendi que ELE É ASSIM, e que essa calmaria me equilibra, me traz pro colo, pro aconchego, pro amor...
Meu “pequeno-grande homem”, meu gigantesco companheiro, meu grande e verdadeiro amor. Com defeitos, com qualidades, com acertos e erros; que me faz ter uma vida de verdade, amar de verdade e ver um sonho virar realidade. Sem castelo, sem cavalo branco, mas com muito encantamento, magia e FELICIDADE!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A MELHOR RELAÇÃO DO MUNDO

(Texto escrito para minha coluna RETICÊNCIAS UMA VÍRGULA, da Revista Città. Maio/2012)
         Se eu não tivesse minhas filhas talvez falasse de qualquer outro assunto, mas pertinho de celebrar o dia daquelas que geram a vida, que são colo a vida inteira e amor de ponta a cabeça, não me vem outra inspiração senão essa: a maternidade.
         Outro dia, vendo um comercial na internet, caí em prantos. Quanta emoção poder ver o que o nosso amor pode construir na vida dos nossos filhos, não é mesmo? Aqueles 2:04 mostram mães que, desde bem cedo, fizeram sacrifícios junto de sua prole (físicos, até!)  para que eles se tornassem grandes atletas. No decorrer da propaganda vamos acompanhando o crescimento daquelas crianças e comemorando cada vitória que é admirada pelos olhares cheios de lágrimas de cada mãe. No final surge a frase: “O trabalho mais difícil do mundo é o melhor trabalho do mundo.” Mais uma vez, eu tive que concordar.
         Ao passar do tempo venho percebendo que, mais difícil do que o cansaço físico e mental de educar os filhos é ver a roupinha daquele bebê, que antes cabia no seu colo, ficar curta e apertada; que eles estão preferindo a festa só com as amiguinhas do que um passeio com a mamãe. Acho difícil ver que está chegando a hora em que vai pintar a primeira paixão, as saídas noturnas, as baladas com a turma, e que aos poucos, vamos perdendo espaço e aquela necessidade que tanto nos sufocava, mas que ao mesmo tempo era tão confortável.
         Certa vez minha irmã me disse que não podemos lamentar o crescimento de nossos filhos porque “crescimento pressupõe saúde, rompimento de limites, vida vitoriosa. Não combina com sofrimento”, e é fato que depois disso passei a olhar esse transpor de fases com mais admiração e menos pesar. Comecei a comemorar minhas vitórias como mãe quando percebia os acertos e bons comportamentos delas, e a entender que o cansaço do “educar diariamente” tem recompensas diárias também.
         Passei a contemplar mais o fato de que minhas princesas estão crescendo não só em tamanho, mas também em sabedoria, alegria, graça e saúde, e a única coisa que sinto é gratidão e amor. Amor que vai ganhando um novo contorno a cada dia... oras rasura e bagunça nosso rascunho todo organizado, oras enche de cor o desenho sem graça que vínhamos rabiscando no papel da vida.
         Tenho uma amiga que, por motivo de saúde, precisa de duas injeções diárias - durante os 9 meses - para manter sua gravidez. Ela não teve medo e encarou com tanta coragem... Na verdade, pra que pudesse viver esse amor que ilumina a gente de dentro pra fora, ela tirou “esse pequeno detalhe” de letra. Marina nasceu linda e cheia de saúde. Agora, ela quis ser mãe outra vez, e há 6 meses toma as mesmas injeções, duas vezes por dia pra que seu rapazinho nasça lindo também; sem reclamar, sem arrependimento e sem dramas. Até porque ela já viu como vale a pena...
         Que todos os dias, mas especialmente nesse Dia das Mães, todas nós possamos receber abraços, beijos e todo o amor que houver nessa vida, muitas vezes representado num sorriso lindo que só vem lá no final daquele dia tão tumultuado, mas que faz tudo, tudo mesmo, ter graça, sentido e razão de ser. Que nossos filhos tenham saúde e que o perfume desse nosso dia especial, seja o cheirinho do abraço deles. Esse é o meu grande desejo a todas as Mães!

P.S: Veja o comercial e emocione-se você também: http://www.youtube.com/watch?v=RoQ1iYREvgI